terça-feira, 16 de dezembro de 2014

EU

Eu sou um mistério para mim mesma.
De quando em vez, 
Pego-me em uma brecha de pensamento,
Ou em um arremedo de ação.
Surpreendo-me com minha habilidade
De falsear enigmas...

domingo, 14 de dezembro de 2014

FOGO?

Olha-me.
Isso! De um lado.
Agora do outro.
Olha com cuidado,
Não perde os detalhes.
Sim, os detalhes.
Concentra-te.
Estás vendo?
Vamos, sei que consegues.
Fixa e vem.
Percorre tudo.
Cada dobra do meu corpo,
Cada promessa de movimento.
Vês?
Sim, queimo.
Ardo do prazer
Dos teus olhos em mim.

sábado, 6 de dezembro de 2014

sábado, 29 de novembro de 2014

DESISTA!

Detesto caixinhas!
Compartimentos acondicionadores
De ideias me sufocam!
Etiquetas em cima então?
Nem pensar!
Horários, compassos, extensões...
Tudo que mede,
Odeio também!
Sou dos espaços livres.
Fujo pelas passagens secretas.
Materializo-me no vento.
Não sigo ordens, regras, rotinas...
Sou volátil.
Entenda de uma vez por todas!
Nunca pense em me delimitar!

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

FUGA

Em um cavalo alado,
Rompeu o sol.
Feito em chamas,
Singrou o céus
Pousando, incandescente,
Por entre os véus 
Do imaginário pessoal
Daquela que se julgava plena.
De imediato, rolaram as peças,
Que se pensavam sólidas.
Espaços se abriram
E a força atrativa dos eus,
Exigiu pressa.
Na rapidez do piscar
Deslizaram, diante de todos,
Para as alcoviteiras entrelinhas.
Consumiram-se em texto
Sem parágrafos,
Distantes da percepção
Do traiçoeiro
Ponto final.

domingo, 23 de novembro de 2014

DIA

Hoje, o dia
Espantou minhas nuvens.
Não há como contrariar
O brilho do sol
E o azul cintilante do céu.
Rendo-me ao sorriso.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

DOR

Farpas, arestas, cantos.
Desordem cortante
Grita o que o eco
Já era sabedor.
Dor.
Dor.
Dor.
...or.
...or.
...r.

sábado, 15 de novembro de 2014

TEMPO

Houve tempos que tuas culpas incomodavam
Não existem mais.
Os choros, foram-se.
A indiferença foi ganhando território,
Pouco a pouco.
Hoje, convivo contigo
Como se entre quatro cantoneiras estivéssemos,
Sorridentes e iniciantes,
No velho álbum de fotografia.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

ANÚNCIO

Procuro a falta.
Ausência dissimulada de dia a dia.
Vácuo atrativo encontrado em cada sombra.
Buraco negro enigmático
Para futuro relacionamento,
Duradouro e estável.
Paga-se bem.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

COLORIDINHO

No colorido do dia,
Perdeu-se nos finos fios das nuances.
Ora azul, ora amarela.
Ora vermelha, ora verde.
Ora marrom, ora laranja.
Ora rosa, ora lilás.
E todas as horas,
Furta-cor...

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

ORDEM

Respeitem o ponto final!
Continuações, reprises, remakes
Não!
A história tem que acabar.
Tudo tem um fim.
Basta! 
Fechem o livro, virem a página,
Guardem na caixinha das lembranças,
Joguem fora, enterrem a sete palmos do chão,
Mas encerrem.
A reiteração do findo cria fantasmas
E distorce ideias.
Acabem!
Não me incomodem!
Respeitem o ponto final!

sábado, 18 de outubro de 2014

SOU

Gosto das incoerências.
Nas diversas angularizações
Dos caminhos tortos,
Me perco 
Degustando o sabor
Dos erros voluntários.
Sou cubista das imagens perfeitas.
Sou realista nos imaginários surreais.
Sou?
Sou.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

ENGODO

Quando viu, floresceu!
Folhas por todos os lados
Faziam as vezes de saia.
Cabelos, em pétalas,
Caiam sobre os ombros
Em cachopas bem cuidadas.
O fino corpo de haste
Pendia, ora para um lado,
Ora para o outro
Em um tênue balanço
Nos braços do vento.
O perfume, inebriante,
Entorpecia o ambiente.
Atraído pelo encanto crescente,
Aproximou-se sem cautela.
Como que enfeitiçado,
Deixou-se levar pela imagem
Que via.
Acordou sufocado pelas raízes,
Que sem respeito algum,
Bailavam sobre seu rosto
Já em adiantado estado de
Putrefação.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

URBANA

Merecia o sol,
Acendeu a luz.
Merecia o rio,
Ligou o chuveiro.
Merecia o vento,
Pôs-se em frente do ventilador.
Merecia paz,
Tomou um Rivotril.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

ARCO-IRIS

Há dias em que eu falo.
Outros, eu engulo.
Existem momentos em que eu grito.
O som açoita a dor
E a faz explodir no roto arco-íris.
Roto?
Sim, mas sempre arco-íris!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

TARDE?

Tudo é concreto.
Os espaços,
Habitáveis outrora
Pelo volátil, 
Compactaram-se
Em um grande monobloco.
Ela flutua no nada
Do enigmático
Buraco negro.
Busca outra dimensão,
De-ses-pe-ra-da-men-te.
Ainda há um pouco de ar nos pulmões.
Confia.
Não deve ser tarde demais.

domingo, 5 de outubro de 2014

IVAS

À deriva
Na vã tentativa
De se pensar locomotiva
(Grande estiva)
A diva
Pensativa
Saliva
Entre a negativa
Ou positiva
Alternativa
De renovar sua
Perspectiva.
Iniciativa
Contemplativa...

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

(IR)RESIGNAÇÃO

Estou triste.
O vazio me chama.
Faço-me de desentendida.
Seduz-me a ideia da solidão.
Encantamento maldito!
Depois do feitiço
A bomba explode
Na cinza cor da frustração.
Império árido do só.
Movo entranhas.
Morro, pouco.
Pouco, morro.
Desesperos à parte.
Vivo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

ADVÉRBIOS

Com os olhos voltados para trás
Partiu em frente.
Suspirou além
Quando constatou 
Que não havia mais nada aquém.
Acima só o sol,
Abaixo, a areia.
Deitou-se ali
Ficou na espera
Do algo a mais
Que certamente
Chegaria em breve,
Muito breve.

sábado, 27 de setembro de 2014

PRONTA

Tento adivinhar o teu toque.
Busco ouvir tua respiração
Perto, muito perto da minha nuca.
Teu calor, em ondas, 
Quero sentir no arrepio da minha pele.
O sabor do teu corpo
Imagino saber com detalhes
De gourmet.
Estou pronta viste?
Só falta chegares.
Te espero.
Vem.

domingo, 21 de setembro de 2014

PONTO

Com um sopro
Desvendou os olhos.
Os cílios encarregaram-se
De desfazer o resto.
Viveu para a cor,
Para o som,
Para sensações.
Plena, flutuou na graça
Das antigas novidades
Irradiando curiosos arrepios.
Ela havia chegado para ocupar
O lugar que jamais imaginara lhe pertencer,
Mas que ao vê-la,
Imediatamente encaixou-se nos seus contornos.
Ele, um misto de surpresa e encanto,
Espantou as antigas dúvidas
E aquiesceu à certeza
Que, de fato, sempre soube:
No dia da chegada
Não existiriam mais partidas.
Entregou-se sem medos
Ao ponto final.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

LUTA

Mergulhou na atmosfera noir
Dos corpos nus.
Percorreu o ambiente pegajoso do suor
Gerado pelo pouco espaço
Enquanto mãos e pernas se cruzavam.
Sentia cabelos e pêlos
Com ojeriza.
Irrespirável.
Queria acordar, mas resistia.
A sensação frenética opoē-se
À razão estética e vence.
Sorri no desespero,
Ainda bem.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

RACHADURAS

O vidro rachado da porta
Permitia que as lembranças
Voltassem fortes.
A última vez foi perdida,
Sabia disso,
Deu as costas e seguiu
Na direção oposta.
De lá, nenhuma rachadura teria 
Mais importância.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ERROS

Erro.
Hoje, ontem ou amanhã,
Erro, errei, errarei.
O erro é uma das coisas certas da vida.
A cada tropeço,
Caio, choro, sofro escoriações.
Continuo errando,
Não aprendo o que não se pode aprender.
Não aprendo o que não quero aprender.
Não aprendo o que não vale aprender.
Vivo.


domingo, 14 de setembro de 2014

PROPAGANDA

Garganta trancada,
Vontade de chorar,
Depressão chegando?
Sol, mar e céu azul,
Eficaz para todos os males.
Experimenta!

sábado, 13 de setembro de 2014

METAMORFOSES

Reflito.
Penso.
Relembro.
Examino.
Pondero.
Concluo.
O início
Insiste em começar.
Reflito
Pen
Relemb
Exa
Po
C...

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

PARTIDA

Com o sol nos pêlos,
Floresceu no final da primavera.
A graça tomou conta dos seus gestos,
O vento, de seus longos cabelos
E a lua, da sua mente.
Nascera, finalmente.
Deveria se apressar,
O oceano é largo
E não sabia precisar com exatidão
Quantos passos a distanciavam dele...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

GUERRA

A palidez deu lugar à cor.
Era enfática,
Gostava do destaque.
E, assim, vibrando nos tons fortes,
Iniciou o percurso.
Aquele seria um dia difícil,
Mas de imprescindível enfrentamento.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

FELICIDADE

Ao ver teu cheiro, sorri.
Ao sentir teus olhos, cedi.
Ao ouvir teu toque...
Bem, ao ouvir teu toque,
Morri!

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

PAPEIS

Do jorro nasceu a vida
Que correu insandecidamente
Pelos estreitos corredores
Úmidos e escorregadios.
Alojou-se no aconchego
Da sua metade
E lá ficou.
Esperou, esperou 
E se fez completo.
Como obra acabada 
Adentrou no mundo.
Encantou, cresceu, viveu,
Morreu.
Morreu no exato momento
Em que, cansado do velho papel,
Idealizava uma nova estreia
Para breve,
Muito breve.

sábado, 6 de setembro de 2014

FANTASMA

Entendeu-se em solidão.
Buscou a forma mais harmoniosa,
Meticulosamente planejada,
E ocupou o centro da sala
Em sua cadeira de alto espaldar.
Mãos no colo,
Cabelos alinhados,
Vestido impecável,
Olhar vago.
O processo foi lento.
Ao final, já como retrato
Em preto e branco,
Foi descoberta pelos olhos curiosos,
Jazendo no chão do ambiente.
Recolhida com cuidado,
Foi encerrada nas quatro arestas
Do pequeno quadro 
Pendurado na parede.
Seguiu, soberana de si,
A assombrar aqueles que
Teimavam em se julgar
Felizes.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

CORAGEM

Perto da escada, pensava.
Tinha dúvidas sobre qual seria
O degrau mais acertado,
Se deveria, ou não, apoiar-se
No corrimão,
Se a subida deveria ser rápida 
Ou vagarosa.
Observava todos
Que por ela passavam rumo ao topo.
Nenhum lhe parecia de todo correto.
Um, muito lento, acabava sentando-se,
Desanimado com a distância que
Ainda restava percorrer.
Outro, muito impaciente, 
Atropelava os degraus, caindo sempre,
Mas seguia no intento.
Mais outro que, com passadas tão firmes,
Acabava por romper os degraus,
O que o levava a refletir se seria para ele
Essa dura tarefa.
Perto da escada, pensava,
Sem se importar com a vida escoando
No entorno.
Perto da escada, pensava,
Atordoando o resto de coragem
Que insistia em habitar seu coração.