sábado, 28 de fevereiro de 2015

RETORNO

Andava dentro de sua própria cabeça
Como se fosse uma sombra.
Dançava músicas de um passado distante.
Recitava poemas crus de dores atrozes.
Lia livros, esquecidos há muito,
No canto mais empoeirado da estante.
Assombrava a si mesmo
Com uma regularidade decrescente.
Aos poucos voltaria à vida.
O tempo escoava rápido.
Sabia que o retorno já a observava
Do lado de fora.
Esperando um momento de distração
Para arrebatá-la.
Recusava-se, no entanto,
A antever o instante.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

DERROTA

A tristeza escorre
Pelos olhos.
Desce, impedindo
Os mais simples movimentos.
Imobilizada, sucumbe ao desejo
De amalgamar-se
Ao lodo negro que a fixa pelos pés.
"Então o fim é assim?" - pensou.
Depõe as armas,
Deixa esvair as forças.
Resigna-se com a derrota.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

ANTROPOFÁGICO

O escuro e o claro.
Complementos do todo.
Ora um, ora outro.
Alternância bipolar.
Desconheço caminhos.
Fujo dos objetivos.
Escondo-me no meu
Umbigo.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

CONVICÇÃO

Envolta em véus
Deixava-se ver 
Parte à parte.
Acreditava que 
A completude
Sufocava
A real beleza
Escondida
Nos até então
Imperceptíveis
Detalhes...



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

LEVEZA

As sombras brincam
De esconde-esconde
Ocultando-se nos corpos
Que deslizam pelas ruas.
Desavisados, dão abrigo
Ora a uma, ora a outra, 
Ora a várias.
Desconforto?
Nenhum!
Recompensa?
O alegre frenesi
Dos movimentos leves...

sábado, 31 de janeiro de 2015

ARTE

As rotas raízes 
Cedem pouco a pouco
O voo próximo causa temor.
Difícil arte essa do desapego...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

APLAUSOS

Passo por entre o mundo
Causando um movimento regrado.
Milimetricamente previsível,
Gosto que antevejam meus passos.
Atuo para a plateia,
Que, satisfeita,
Se esquece de tentar investigar
Aquilo que, de fato,
Faria sentido.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

FELIZ 2015!

Queridos Amigos!
Esta é a minha família e todos desejamos
Um Feliz 2015 para todos nós!


Muitos beijos!
GISA

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

DUALIDADE

Preciso ir.
Sei o caminho de cor.
Já o percorri tantas vezes
No meu imaginário,
Que sou capaz de reconhecer
Seus contornos e nuances.
Quero ficar.
Apesar de tudo, apesar de todos.
Gosto do aconchego
E dos sons cotidianos...
Ademais, 
Lembranças pesam,
Como as poderia carregar?
Vou.
Fico.
Vou.
Fico.
Ou...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

NATAL

ENTÃO É NATAL!

Queridos Amigos,
Desejo a todos um lindo Natal junto aqueles que lhes são caros!
Obrigada sempre pelo carinho e atenção a mim e ao blog!
Um grande beijo


GISA

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

EU

Eu sou um mistério para mim mesma.
De quando em vez, 
Pego-me em uma brecha de pensamento,
Ou em um arremedo de ação.
Surpreendo-me com minha habilidade
De falsear enigmas...

domingo, 14 de dezembro de 2014

FOGO?

Olha-me.
Isso! De um lado.
Agora do outro.
Olha com cuidado,
Não perde os detalhes.
Sim, os detalhes.
Concentra-te.
Estás vendo?
Vamos, sei que consegues.
Fixa e vem.
Percorre tudo.
Cada dobra do meu corpo,
Cada promessa de movimento.
Vês?
Sim, queimo.
Ardo do prazer
Dos teus olhos em mim.

sábado, 6 de dezembro de 2014

sábado, 29 de novembro de 2014

DESISTA!

Detesto caixinhas!
Compartimentos acondicionadores
De ideias me sufocam!
Etiquetas em cima então?
Nem pensar!
Horários, compassos, extensões...
Tudo que mede,
Odeio também!
Sou dos espaços livres.
Fujo pelas passagens secretas.
Materializo-me no vento.
Não sigo ordens, regras, rotinas...
Sou volátil.
Entenda de uma vez por todas!
Nunca pense em me delimitar!

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

FUGA

Em um cavalo alado,
Rompeu o sol.
Feito em chamas,
Singrou o céus
Pousando, incandescente,
Por entre os véus 
Do imaginário pessoal
Daquela que se julgava plena.
De imediato, rolaram as peças,
Que se pensavam sólidas.
Espaços se abriram
E a força atrativa dos eus,
Exigiu pressa.
Na rapidez do piscar
Deslizaram, diante de todos,
Para as alcoviteiras entrelinhas.
Consumiram-se em texto
Sem parágrafos,
Distantes da percepção
Do traiçoeiro
Ponto final.

domingo, 23 de novembro de 2014

DIA

Hoje, o dia
Espantou minhas nuvens.
Não há como contrariar
O brilho do sol
E o azul cintilante do céu.
Rendo-me ao sorriso.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

DOR

Farpas, arestas, cantos.
Desordem cortante
Grita o que o eco
Já era sabedor.
Dor.
Dor.
Dor.
...or.
...or.
...r.

sábado, 15 de novembro de 2014

TEMPO

Houve tempos que tuas culpas incomodavam
Não existem mais.
Os choros, foram-se.
A indiferença foi ganhando território,
Pouco a pouco.
Hoje, convivo contigo
Como se entre quatro cantoneiras estivéssemos,
Sorridentes e iniciantes,
No velho álbum de fotografia.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

ANÚNCIO

Procuro a falta.
Ausência dissimulada de dia a dia.
Vácuo atrativo encontrado em cada sombra.
Buraco negro enigmático
Para futuro relacionamento,
Duradouro e estável.
Paga-se bem.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

COLORIDINHO

No colorido do dia,
Perdeu-se nos finos fios das nuances.
Ora azul, ora amarela.
Ora vermelha, ora verde.
Ora marrom, ora laranja.
Ora rosa, ora lilás.
E todas as horas,
Furta-cor...

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

ORDEM

Respeitem o ponto final!
Continuações, reprises, remakes
Não!
A história tem que acabar.
Tudo tem um fim.
Basta! 
Fechem o livro, virem a página,
Guardem na caixinha das lembranças,
Joguem fora, enterrem a sete palmos do chão,
Mas encerrem.
A reiteração do findo cria fantasmas
E distorce ideias.
Acabem!
Não me incomodem!
Respeitem o ponto final!

sábado, 18 de outubro de 2014

SOU

Gosto das incoerências.
Nas diversas angularizações
Dos caminhos tortos,
Me perco 
Degustando o sabor
Dos erros voluntários.
Sou cubista das imagens perfeitas.
Sou realista nos imaginários surreais.
Sou?
Sou.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

ENGODO

Quando viu, floresceu!
Folhas por todos os lados
Faziam as vezes de saia.
Cabelos, em pétalas,
Caiam sobre os ombros
Em cachopas bem cuidadas.
O fino corpo de haste
Pendia, ora para um lado,
Ora para o outro
Em um tênue balanço
Nos braços do vento.
O perfume, inebriante,
Entorpecia o ambiente.
Atraído pelo encanto crescente,
Aproximou-se sem cautela.
Como que enfeitiçado,
Deixou-se levar pela imagem
Que via.
Acordou sufocado pelas raízes,
Que sem respeito algum,
Bailavam sobre seu rosto
Já em adiantado estado de
Putrefação.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

URBANA

Merecia o sol,
Acendeu a luz.
Merecia o rio,
Ligou o chuveiro.
Merecia o vento,
Pôs-se em frente do ventilador.
Merecia paz,
Tomou um Rivotril.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

ARCO-IRIS

Há dias em que eu falo.
Outros, eu engulo.
Existem momentos em que eu grito.
O som açoita a dor
E a faz explodir no roto arco-íris.
Roto?
Sim, mas sempre arco-íris!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

TARDE?

Tudo é concreto.
Os espaços,
Habitáveis outrora
Pelo volátil, 
Compactaram-se
Em um grande monobloco.
Ela flutua no nada
Do enigmático
Buraco negro.
Busca outra dimensão,
De-ses-pe-ra-da-men-te.
Ainda há um pouco de ar nos pulmões.
Confia.
Não deve ser tarde demais.

domingo, 5 de outubro de 2014

IVAS

À deriva
Na vã tentativa
De se pensar locomotiva
(Grande estiva)
A diva
Pensativa
Saliva
Entre a negativa
Ou positiva
Alternativa
De renovar sua
Perspectiva.
Iniciativa
Contemplativa...

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

(IR)RESIGNAÇÃO

Estou triste.
O vazio me chama.
Faço-me de desentendida.
Seduz-me a ideia da solidão.
Encantamento maldito!
Depois do feitiço
A bomba explode
Na cinza cor da frustração.
Império árido do só.
Movo entranhas.
Morro, pouco.
Pouco, morro.
Desesperos à parte.
Vivo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

ADVÉRBIOS

Com os olhos voltados para trás
Partiu em frente.
Suspirou além
Quando constatou 
Que não havia mais nada aquém.
Acima só o sol,
Abaixo, a areia.
Deitou-se ali
Ficou na espera
Do algo a mais
Que certamente
Chegaria em breve,
Muito breve.

sábado, 27 de setembro de 2014

PRONTA

Tento adivinhar o teu toque.
Busco ouvir tua respiração
Perto, muito perto da minha nuca.
Teu calor, em ondas, 
Quero sentir no arrepio da minha pele.
O sabor do teu corpo
Imagino saber com detalhes
De gourmet.
Estou pronta viste?
Só falta chegares.
Te espero.
Vem.